
Esta semana tem sido rica em polémicas em torno de uma onda no Barreiro.
Sim no Barreiro!! Há um surfista, o P1, que surfa esta onda provocada pelos barcos da Transtejo, há uns 10 anos. Guardou este segredo durante muito tempo, e quando percebeu que não havia mais como segurar esta informação, decidiu revelar a sua onda ao mundo.
Eu soube, do que se passava, e era inevitavel... fui lá ver com os meus olhos, e levei o Nicolau Von Rupp comigo. A onda existe sim senhor, não é fácil de perceber onde ela quebra, e sem a preciosa ajuda do localissimo P1, provavelmente nem a teriamos surfado.
O que se passa, é que na altura em que a onda é divulgada, toda a gente quer aparecer. Seja surfista, ou fotógrafo todos querem os créditos. Também isso é legitimo. Ao que parece o pessoal de lá ficou lixado porque quem acabou por ter protagonismo nos créditos fotográficos e nas filmagens, não foram os locais, que registam aquela onda há mais de um ano. Foi o pessoal de fora que foi lá fazer o trabalho, eu incluido.
Quando lá estive, percebi a potencialidade jornalistica daquilo. É o que se chama um "furo", mas disse ao fotógrafo de lá que não ia enviar para meios nenhuns sem ser a SURF Portugal, e que ele tinha o caminho livre para o fazer. Na verdade ele não o fez.
Não sou apologista de passar por cima seja de quem for, mas é um facto que quando nos deixamos dormir sobre um assunto, alguém nos passa à frente. Resumindo, eu não enviei as fotos para os meios por respeito ao fotógrafo de lá, ele também não enviou, porque achava que o segredo se ia manter, e a LUSA foi lá e fez o seu trabalho de jornalismo.
Agora pouco há a fazer.
Ao mesmo tempo isto mostra um bocado a falta de "garra" profissional que temos por cá. As pessoas esperam que lhes abram as portas, que lhes dêm contactos, que lhes marquem reuniões para apresentar o trabalho. Isso é errado!! o trabalho quando é bom fala por si! Eu sempre que quis vender uma foto, uma história, um artigo, fiz zempre a mesma coisa. Pesquisei no google, o meio que queria contactar, telefonei, enviei mails, levei negas, secas. Umas vezes correu bem, outras correu mal, mas não é isso mesmo a vida?
Habituem-se, pois se não fizermos por nós, e não arrombarmos portas, ninguém o vai fazer!
pic: P1 persegue o barco das 8h20




