sexta-feira, 8 de novembro de 2013

NAMORADA DE SURFISTA


Simplesmente genial este texto do Fred D'Orey... Retrata bem o dia a dia de um surfista com namorada. Poderia repetir a mesma conversa dele, porque na verdade acho que já todos nós (surfistas com namorada ou ex) passámos por isto e concordamos. Claro que como em tudo na vida há soluções, uma passa por ter uma namorada surfista, outra por ter uma namorada que tenha a porcaria de um hobby qualquer sem ser o de nos encher a cabeça com o nosso hobby/amor.

Já vi esse filme. No começo a namorada dá a maior força. Ela tem orgulho de namorar um cara saúde que pega onda. Ela faz questão de incentivar porque sabe que ele volta feliz da vida depois das ondas. Ela adora praia, o cara surfa – foram feitos um para o outro. Depois, com o passar do tempo, a atitude muda. Ela até gosta que o cara surfe, mas… “tem que ser o tempo todo? Dá pra falar de outra coisa? Não dá pra gente fazer um programa diferente?” É o início do fim. Ou do namoro do casal, ou do surf do cara. Porque as coisas evoluem de tal forma que, com raríssimas exceções, pranchas e namoradas acabam por se tornar rivais. E basta olhar em volta pra perceber quem está vencendo. Surf só no final de semana. Só em determinadas praias. Só em determinados horários. Acordos são feitos. “Fim de semana em Saquarema (melhor onda do Brasil!) nem pensar. Em São Conrado (melhor esquerda do Rio!) eu não vou nem morta, aquela praia é um lixo. Domingo tem que voltar antes do almoço com a mamãe.” Uma surf trip por ano com os amigos e olhe lá. E com isso a barriga dele vai crescendo, sua cor ficando cinza, e os olhos vão perdendo o brilho… Tem uma cena no filme ‘A Praia’, quando o Leonardo Di Caprio vira pra menina, depois de deixá-la fascinada com algumas bobagens que ele falou sobre as estrelas, e diz mais ou menos assim: “agora você tá achando tudo lindo, mas as mesmas coisas que te fascinam no começo vão te entediar no final”. O cara tava falando de uma verdade quase universal sobre os relacionamentos. Mas podia estar falando especificamente de surf. Me toquei disso porque outro dia fui pegar onda com a Ana e depois da sexta checada em quatro praias diferentes (fazer o que? Moro no brasil, onde o mar quase sempre é uma bomba), ela, levemente impaciente, arriscou: “aqui tá bom. Porque a gente não fica logo aqui?”. Tá bom? Como assim tá bom? Você entende de surf desde quando? E tratei de explicar que surf é uma das coisas mais importantes da minha vida. Que trabalho pra burro. Que tenho pouco tempo. E que tenho que escolher direitinho minha caída. E mais importante, e que isso fique bem claro, se tiver dando onda eu vou correr atrás do melhor surf. Sempre! E se ela quiser vir comigo vai ter que ser paciente. Se não tiver saco pode ficar em Ipanema com as amigas. Mulheres de surfistas são muito sortudas (levantem as mãos pros céus). Elas vão pra praia. Elas vão pra Prainha. Elas vão pra Guarda. Elas vão pra Bali. O som quase sempre é bom. A comida quase sempre é saudável. Surfistas procuram por praias sem muito vento, sem muita gente. Que tal namorar alpinista e se ver toda amarrada de cabeça pra baixo? Que tal namorar ciclista e ficar se esbaforindo pedalando atrás do cara? Que tal namorar um tenista e passar o fim de semana no clube? Que tal namorar um windsurfista e perseguir o vento, quanto mais vento melhor, e ficar mofando dentro do carro? Ou um lutador de jiu jitsu e acompanhar de perto seus treinos na academia, enquanto ele fica se pegando com outro orelhudo suado? Nunca entendi direito o porque dessa metamorfose feminina. Talvez por uma necessidade ancestral de controlar e reduzir o macho apenas a sua condição de provedor familiar. Talvez por egoísmo. Talvez por falta de bom senso. Mas nem todo mundo tem vocação pra ovelha. Os australianos, por exemplo, que fazem parte da maior nação surf do planeta trataram desse assunto com seu peculiar humor escrachado estampando em camisetas os seguintes dizeres- “minha namorada mandou eu escolher entre ela e a prancha. Pena, vou morrer de saudade dela”. Fred D'Orey

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

CYBORG!


Quando era puto e vi o Blade Runner tudo aquilo me parecia estar a anos luz de distância. Os carros, os cyborgs, as casas... tudo parecia quase impossivel de se realizar. Hoje quando olho para trás fico sem perceber se filmes como o Blade Runner influenciaram as experiências de hoje em dia, se na altura eles já sabiam coisas que nós não sabiamos. O primeiro homem reconhecido como cyborg, data de 2004 e chama-se Neil Harbisson. Neeil é daltónico e numa palestra acerca da importância da cores na vida das pessoas, resolveu criar um "eyeborg", que não é mais que um mecanismo com um sensor atrás da cabeça que recebe as frequências de luz e as transforma em frequências sonoras. Este mecanismo permitiu que Neil reconheça as cores e de uma forma mais apurada, pois recebe o tom através de uma nota, a luz pelos olhos e a saturação pelo volume dos sons. Neil foi declarado Cyborg pois o apareho é parte integrante da sua vida. Já o Tim Cannon, éum granda maluco e resolveu dar mais um passo no desenvolvimento dos cyborgs. Por baixo da pele instalou um chip de computador que grava e transmite dados biométricos. Desenganem-se se acham que é um chip comos os dos animais de estimação. Não!! é uma caixa enorme que só de olhar arrepia!! Carrega através de wireless e regista todos os dados Biométricos do seu corpo. Dêm um olhinho nos videos e percebam que não estamos assim tão longe de uma era "Blade Runner", embora no filme os replicants eram robôs orgânicos criados geneticamente.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

SUPER FILIPE ANDRADE


Conheci o Filipe Andrade em janeiro de 2012. O João Macedo falou-me nele por fazer surf e ilustrações e além do mais desenhar para a Marvel. Nesse momento fez-se luz e pensei que era um conteúdo muito fixe para a revista, pena é que sou eu, o João Macedo e provavelmente o Filipe é que achámos isso. O Filipe levou-me para uns spots muito fixes na margem sul, as fotos foram feitas e perderam-se naquele buraco negro sem nunca verem a luz do dia. Adiante, o Filipe além de super talentoso e humilde conseguiu um feito que muito poucos conseguem, tipo um no milhão, ele conseguiu e hoje desenha para a Marvel. Poderia dizer mais coisas, mas acho que mesmo interessante é verem o video aqui no site do Público. O Filipe é mais um daqueles Portugueses que nos faz acreditar que é possivel seguir o nosso sonho, aliás que devemos seguir os nossos sonhos, sempre!! Boa sorte bro!! ;)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

REVISTA XXI

http://instagram.com/o_andre_carvalho#
Recebi hoje a revista XXI, que para quem não sabe, é a primeira revista inteiramente feita com fotografias de telefone e "postadas" no instagram. A revista graficamente está boa e a escolha de fotos feita pelo Luis Mileu, está muito boa. Bom trabalho Mileu!! É irónico, que as pessoas andem doidas com os megapixels (que nunca aproveitam), e depois com um telémovel o trabalho fica todo feito, e bem feito. É um bocado uma chapada de luva branca a quem acha que é a máquina que faz a foto e não o fotógrafo. Se bem que o instagram também cria uma ilusão nas pessoas, normalmente sem filtros e sem enquadramento quadrado as fotos são mais fracas. Agora há uma coisa que eu não entendo, e não sei se me vão conseguir explicar. Como diz aqui no Público, "A opção por editar uma revista em papel com fotografias captadas ou criadas a partir de telefones móveis (experiência pioneira em Portugal) por autores anónimos..." É completamete absurdo. No instagram os autores não são anónimos, até muito pelo contrário!! Estão bem indentificados e todos os profissionais que o utilizam assinam com o seu nome verdadeiro. Os que não são profissionais têm o seu "user name" pelo qual são conhecidos. Posto isto não entendo e fico triste que numa revista de 208 páginas, tenha que andar à procura dos créditos dos fotógrafos. Resumindo, a única inovação desta revista é ser feita com fotos de telefone e instagram, logo quem faz a diferença nesta publicação são os fotógrafos, mas são os mesmos fotógrafos que são remetidos ao quase anonimato. Confuso? a mim parece que sim, mas já vou estando habituado.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O TOURO ENRAIVECIDO


Não há nada de raivoso aqui, mas o filme "Touro Enraivecido" de Martin Scorcese sempre foi uma grande influência para mim... bem, o rocky também foi!! embora noutro contexto. Sábado 9H30 e 16H30 e Domingo às 11h40 no programa fotografia total(tvi 24), poderão ver o meu mais recente projecto de fotografia sobre o tema "boxe". Espero que vejam e que gostem. Até domingo;)

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O CANHÃO DA NAZARÉ


Ai Nazaré Nazaré… Parece que o teu canhão está a disparar para todos os lados, sem dó nem piedade. É normal, andam a abusar de ti… usam-te e abusam-te. Já pregaste um susto e mais hão-de vir... Já me perguntaram dezenas de vezes o que acho disto tudo, na verdade nem sei bem o que dizer. Aliás, a única coisa que afirmo com toda a certeza é que todos os que lá andam têm umas bolas de aço concerteza!!! Hugo Vau, GMac, Burle, Maya, Cotty, Toni, Ramon e por aí fora… Nesta questão penso que não há dúvidas algumas. Agora a guerra das marcas é outra história, Zon vs Redbull é a discussão do momento, tal e qual dois clubes de futebol a disputarem a 2ª circular. A diferença é que nós surfistas estamo-nos bem a cagar para eles, ou deveríamos estar!! A ZON, não me merece respeito nenhum, sou e sempre fui chulado por eles durante anos enquanto empresa de telecomunicações e não é por de repente meterem uns milhões no G-Mac que me vão merecer respeito algum. Já disse e volto a dizer que o que fazem pelo surf tem como único objectivo auto-promoção e estão muito longe de querer ajudar o surf ou seja lá o que for, querem apanhar a boleia e fazem tudo por isso. O mau trabalho da ZON começa logo no logotipo deprimente do "north Canyon" e acaba na mega produção filmada há dois anos na Nazaré que deixa muito a desejar do ponto de vista cinematográfico. Que ao menos tivessem feito o trabalho de casa como deve ser. Já a Redbull, que actualmente deve ser a maior marca de action sports do mundo, merece o meu respeito pelo que tem feio pelo mundo fora (embora ache que as pessoas do mkt de Portugal têm tanta vocação para a tarefa como o Laird acha que a Maya tem para surfar ondas grandes). A redbull promove centenas de eventos pelo mundo, puxa os limites dos atletas e premeia-os pelos seus feitos. Tem dezenas de atletas patrocinados, tem uma imagem que não há nada a apontar e uma comunicação invejada pelas grandes marcas. Arrisco a dizer que se a Redbull não existisse nesta vertente a maior parte dos action sports estavam vários degraus abaixo do que estão hoje. Depois além das empresas há outras guerrinhas, Laird Hamilton vs Carlos Burle e Maya Gabeira. Mas estas guerras apenas têm a importância que lhes queremos dar. Parece que é obvio que a Maya é totalmente inconsciente, eu pelo menos não tenho dúvidas disso. Uma surfista que em 2 anos apaga duas vezes (embora a primeira no tahiti não seja assumida) não pode ser uma pessoa totalmente consciente. Já me disseram inclusive que nos dias de 1,5mt na praia do Norte ela não conseguia sequer passar a rebentação a remar… Agora aquele discurso da segurança é que já traz água no bico. Quantos limites são ultrapassados exactamente porque há falhas na segurança? muitos diria eu… É preciso também perceber que a ligação do Laird hamilton com o G-mac é bem mais forte que com o Burle, não sei se o Laird se pronunciava contra o G-mac da mesma maneira que fez com o Burle e a Maya. Agora é a opinião dele e acho bem que a dê. Enfim esta novela da Nazaré já mete nojo, parece a do Carrilho e a da Barbara Guimarães. Resumindo, Grandas bombas na Nazaré!!! Grandes tomates de quem lá esteve, grande Tó Mané que mais um ano conseguiu "a foto" do dia, grandes ondas tanto do Burle como do Cotty (que está no seu cantinho e sossegado). E grande Toni Silva e Ramón, que apostaram tudo no "cavalo" de nuestros hermanos e trouxeram imagens assustadoras da costa da morte na Galiza e a disseram bem alto que são inconscientes mas é por vontade própria, não pela vontade das marcas!!! Já para não falar que depois de partir as suas pranchas todas agarrou num bodyboard e foi desbravar uma slab deitado…. RESPECT BRO!!! Por isso, que se fodam as marcas, venham mais ondas grandes que queremos é espectaculo!! :) foto: Tó Mané
The session of the power of Galicia from Samuel Northcoast on Vimeo.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

CARROL VS ICE


O Tom Carrol, foi e sempre será um dos meus idolos no surf. Cresci quando o Carrol estava no auge, vibrei com aquela onda em pipe em cima da prancha cor de rosa e de capacete, quando venceu o pipe masters, no dia da morte da sua irmã. Sempre me perguntei que seria feito dele há uns anos atrás. Percebo agora que o tempo em que esteve ausente do surf tinha uma razão, o ICE. O Ice é um droga poderosissima, dez vezes mais que a cocaina. Choca-me sempre quando vejo pessoal a desperdiçar uma vida em troca de umas pedradas, choca-me porque infelizmente a geração acima da minha, perdeu-se muitas vezes em caminhos menos fixes. tinha eu 18 anos quando um dos meus melhores amigos morreu aos 20 de overdose. Havia menos informação na altura e a tentação era fácil. Felizmente tenho muito orgulho em nunca ter aberto, ou sequer espreitado por algumas portas. O Carrol, como tantos outros experimentou, agarrou-se mas principalmente teve a coragem de deixar e mais dificil, teve a coragem de assumir e vir dar a cara neste video. O video é forte, vale a pena ver!! A toxicodepência é uma doença, mas é certo que só adoece quem quer, e só se cura quem consegue.