segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A CUSPIR NA SOPA!


Realmente só neste Portugal é que acontecem estas coisas completamente "non sense". Então vamos lá a ver... A Nazaré, bonita vila piscatória, era conhecida pela suas peixeiras que vestiam 7 saias, pelos pescadores e pelos bodyboarders que surfavam ondas enormes na Praia do Norte. O paradigma mudou e o Garret Macnamara veio meter a Nazaré nas bocas do mundo através do Tow-in. A Nazaré entrou no mapa das ondas grandes, começaram a vir charters de Big-Riders, excursões a partir de Lisboa para ver ondas gigantes, pessoas que nunca tinham pensado duas vezes em contemplar ondas grandes começaram a chegar às resmas ao Canhão da Nazaré. Bateram-se records das maiores ondas surfadas e nos dias de grandes ondulações a romaria tinha uma direcção... Canhão da Nazaré. O Macnamara foi condecorado pela marinha Portuguesa com a medalha de mérito Vasco da Gama e a pequena vila de grandes ondas tornou-se mais mediática que nunca. Só o Tó Mané vendeu a sua conhecida fotografia pelo mundo inteiro, literalmente, fazendo capa e artigos de revista de Portugal ao Japão. A Nazaré encontrou assim uma maneira de se tornar mais rentável e fazer a economia progredir na região. Eis que este fim de semana entrou uma das maiores ondulações do ano, com condições épicas. Os curiosos mais uma vez rumaram ao canhão mas desta vez encontraram as ondas... vazias. Surfistas não havia e porquê? Simples, não havia porque a capitania da Nazaré proibiu a entrada de motas de água e por arrasto a pratica de tow-in. Segundo o responsável pelo porto da Nazaré "a prática do "tow in" carece de "um despacho de autorização", que a capitania condiciona ao cumprimento de regras de segurança". Neste domingo a capitania volta a dizer que a pratica do tow-in "está associada a um risco significativo para os seus praticantes que importa salvaguardar" e que decorre "não só da própria modalidade, mas também, e essencialmente, porque a área em causa [a Praia do Norte] tem características próprias no que concerne à altura e tipo de ondulação verificadas." Vamos lá a ver se eu percebi... O tow in é suposto ser praticado em ondas que na verdade não podem oferecer segurança por serem grandes demais, havendo sempre um risco associado. A Nazaré passou a ser conhecida e divulgada pela prática desse mesmo perigoso Tow-in em perigosas ondulações da Praia do Norte. A Marinha condecorou o G-mac pela prática desse mesmo Tow-in ilegal. Eu diria mesmo que grande parte da notoriedade da Nazaré vem dessa prática ilegal e que essa mesma prática anda a alimentar a vila há uns 3 anos. E agora de um momento para o outro a Capitania vem impedir que se faça esse mesmo Tow-in?!?!? Sou eu que estou doido ou isto não faz sentido algum? Se tivessem impedido isto logo na primeira vez que as motas entraram na água, mas agora passado uma porrada de anos? Outra coisa que é curiosa, é que isto pode ser contornado se houver medidas de segurança e se se tornar num evento, como é o caso do "Zon North Canyon Show" e como foi da Red Bull, onde mesmo assim a Maya Gabeira ia morrendo. Parece-me injusto que uns sejam filhos e outros enteados, mas já nos vamos acostumando não é? (toni não comeces a organizar eventos que não é preciso) Não consigo perceber, até porque estes pequenos grandes idiotas da capitania deviam era preocupar-se quando as motas de água conduzidas por agro-betos e pseudo jogadores de futebol que fazem razias aos banhistas na época balnear, enquanto exibem as sua máquinas e espalham aquele cheiro nojento a gasolina. Não são poucas as vezes que no pico do verão motas de água passam a 15 metros da beira água em muitas praias da caparica, quando a distância legal é de 300 metros de terra. Enfim, mais uma vez, temos o país que temos porque o merecemos, nada mais. E mais uma vez parece que ainda não entenderam que os surfistas não podem ser os desportistas burocráticos que antes de irem para a água têm de entregar não sei quantos despachos na secretaria. Se esta turma da capitania visse Jaws a quebrar, ou shipsterns bluff que faria? prendia todos?

27 comentários:

CAP CRÉUS disse...

Estás a gozar?
Isto cheira-me a que daqui a nada vai surgir um imposto qualquer.
Isto é como a questão das nazarenas a alugar quartos pá. É ilegal, toda a gente sabe, mas ninguém se mexe.
E mais uma vez, os merdas que mandam, são de vistas curtas e lá se vai o turismo e mais não sei o quê. E nem me apetece falar das motas a fazer razias, do cheiro a gasolina nem da falta de respeito associada.

José Miguel Nunes disse...

André, lembras-te do meu texto de Fevereiro deste ano, "A Nazaré, a onda e a teta da vaca", é capaz de lá estar resposta a isto. Abraço

Anónimo disse...

O que aconteceu neste caso é que as leis não estão preparadas para esta modalidade.
A capitania da Nazaré facilitava ao início porque não havia mediatismo. Quando a bola de neve cresceu tiveram de ser mais rigorosos e depois do episódio da Maia ainda mais.
Claro que as exigências da capitania podem ser discutidas. Mas para aqueles que acham que não devia ser preciso nada, que é só chegar ali uma dupla com uma mota e já está, a minha pergunta é a seguinte: quando alguém morrer ali o que vão dizer? Sim, porque naquele inferno é uma questão de tempo até alguém se aleijar a sério. E depois virão todos com sete pedras na mão perguntar como se deixa alguém ir para ali sem o mínimo de segurança.
A capitania está-se a proteger. Eu no lugar deles fazia o mesmo. Mas também acho que os requisitos que pedem devem ser discutidos e adaptados à realidade, caso contrário irão existir muitos dias grandes e ninguém lá dentro a dar espectáculo.
Acreditem que nem o McNamara, nem o Cotton nem o Hugo Vau sabem de todos os pormenores que a organização trata para que eles possam ir para dentro de água.
Quando não se sabe do que se está a falar é preferível não dizer nada.

André carvalho disse...

Anónimo, concordo contigo, mas não pode haver um peso e duas medidas. Não faz sentido. Perigo vai sempre haver, porque aquilo é realmente perigoso. E só repararam nisso agora? E se entrar um maluco a remar não é perigoso? e podem proibir? não... O parapente é perigoso, as motas de água a passarem junto aos banhista é muito perigoso, o kite surf no meio dos surfistas e banhistas é perigoso... tudo é perigoso. Agora se fizeram tanto alarido com a Nazaré e com o surf, porque não criam as condições? não me parece correcto que quem vá fazer tow tenha de depositar 1000€ e ter as normas todas que eles pedem. Também concordo que é uma questão de tempo até haver um acidente fatal... mas não bastaria um termo de responsabilidade? as únicas vidas que estão em peirgo são dos que surfam, não dos que estão a ver. A mim custa acreditar que a capitania que se esta sempre a cagar para a segurança, de repente dê em boa samaritana... :)

Felipe Giusti disse...

Realmente esta sendo algo inesplicavel esse tipo de atitude da Marinha em primeiro lgar pessoas que vao para surfar essa onda sao pessoas de experiencia pois um leigo nap ficaria dentro do mar em condicoes extremas , segundo lugar, apartir do mmento que Nazare fica grande e com ondulacoes acima de 20 pes o espetaculo atrai pessoa do mundo todo trazendo turismo para regiao, treceiro lugar queria saber se o rpblema esta no jet ski imagina quando a galera comecar ir para o out side com um gum sem o apoio de um jet ski, ae sim os problemas que eles nao estao querendo ter em relacao ao risco da vida de alguem vai almentar muito mais, e o rpoblema de quem morrer la simplismente vai ser de quem arriscar e querer ter o privilegio de surfar essa onda, qualquer pico de surf tem o seu ricos, ve se pipeline o governo proibi surf la, sendo esse o lugar onde mais se morre pessoas no surf desde de surfista a fotografo, o governo sim pode e ate deve saber a procedencia da dupla que vai la pra dentro, e dizer se sim ta aorizado ou nao, mas acabar com o show que nazare pode oferecer com os melhores surfistas do mundo e fechar as portas para o turismo pra economia e principalmente para o esporte !!!!

Belbe disse...

Se o cenario já se arrasta ha 3 anos tiveram mais k tempo pa adaptar as medidas às circunstancias! nah sei se alguém aqui ja subiu o Pico, mas desde que morreu uma turista lá encima, mudaram-se as regras e estão bastante simples e sensatas:

Pa subir por conta propria é peciso deixar nome, contacto, a que horas se estima tar de volta e pagar 10 euros. Somos avisados que se precisarmos socorro pagamos 1000 e tal euros mais IVA.

Caso não queiramos pagar isso td, vamos com um guia que tem seguro e se acontecer alguma coisa o seguro paga.

São medidas que seriam simples de adaptar a esta situação e nem eram precisos mtos meios, era só o ppl dos escritorios começar a trabalhar em vez de passear de carro e xatear os avozinhos a pescar no cais.

Maria do Carmo Gomes da Silva disse...

Eu cá não percebo nada disto mas há uma coisa boa. Ninguém morreu nas ondas da Nazaré graças à capitania. Bem, eu acho que ninguém morreu, mas há sempre quem desobedeça e vá mesmo assim. Nesse caso acho mesmo que o risco é por conta própria. Os meios de salvamento não são de graça. Alguém os paga. Se a redbull ou a Zon quer patrocinar estes riscos tudo bem, se as pessoas têm bons seguros de vida e de saúde, tudo bem. Desculpem mas isto é a minha opinião. Podem chamar-me cobarde, pois dou de mão beijada, sou mesmo, no que respeita ao mar e a outras forças da natureza. Fui ontem prestar-lhe os meus respeitos antes e depois da missa em S. Pedro de Moel.
O mar estava , de facto, imponente e a simples contemplação da imensa força do vento e daquela infinita massa de água que é o nosso atlântico faz-nos sentir que Deus existe. Gosto das pessoas valentes mas há limites para tudo, tenhamos a humildade de o reconhecer.

brek disse...

Portugal no seu melhor, somos únicos mesmos. Viva a crise!

Helder Ferreira disse...

Bem vindo ao maravilhoso Mundo da burocracia do Estado. :)
Há tantos anos que é assim e em tanta coisa...a piada disto é que passamos a vida a pedir que o Estado regule v.g. escolas de surf e competições por exemplo, mas quando toca em alguma coisa que gostamos que não esteja regulada, aqui D'El Rei! :) É a vida, damos um dedo ao Estado e admiramo-nos de ficar sem o braço até ao ombro

AvisSoulSurfer disse...

O Sr. Anonimo que fez o terceiro comentário deve provavelmente trabalhar para a empresa municipal da Nazaré, ou afins...Só em Portugal se continua a usar discursos como"coitada da capitania..." vamos acordar de uma vez por todas meus senhores, não existe legislação perfeita existem sim leis de referência que exigem maturidade e bom senso na aplicação. Quem não possui estas ultimas duas qualidades, que se afaste de cargos decisores, quer eles sejam políticos, militares ou de forças de autoridade/segurança. Deixemos de ser um Pais provinciano, Macnamara e todos os grandes surfistas de ondas grandes profissionais devem ter a liberdade de surfar as ondas do canhão da Nazaré !! O Surf é bem maior que um grupo de provincianos de vista curta, é um estado de espirito. Sou Português e não estou sozinho nas minhas palavras.

Anónimo disse...

a questão é - bucks! dá-lhes dinheiro (compra de serviços) e a coisa resolve-se!

pimpim disse...

A burocracia das capitanias, bem como a de muitas autoridades tem de ser facilitada em algumas situações. Analisando esta, quem é que não sabe que quem vai para o mar com o swell para tow in está a arriscar a vida! todos sabemos! quem faz base jump também arrisca a vida e continua-se a fazer o desporto! se o problema é da capitania limpar as responsabilidades é fazer assinar um termo de responsabilidade para se ir para o mar praticar o desporto com o conhecimento dos riscos. É simples! Se o problema é sobre os custos no caso de se proceder a um salvamento, eu pago os meus impostos neste país, assim como os patrocinadores dos surfistas e gostava de saber que o estado também apoia o desporto que eu gosto, mesmo sendo perigoso, e que usa os meios para salvar alguém, se necessário, sem pedir dinheiro.Da mesma forma que o INEM desloca um helicóptero a um estádio de futebol caso haja uma paragem cardíaca. Quando se começa a pedir dinheiro, então as coisa começam a ganhar outros interesses, e preferia que a capitania apenas fizesse o seu trabalho sem outros interesses...

Anónimo disse...

Caros Nazarenses têm bom remédio, deixem de alugar casas e de tratarem bem os turistas, Pode ser que começe a reduzir o turismo ou então tapem o buraco para dar ondas mais pequenas.

Steven disse...

Não vês as coisas como são! Achas que é só chegar e por a mota d'agua no porto e já está!? A Marinha lança um alerta e nenhuma embarcação sai do porto sem autorização especial.
Acontece que o Sr. Mcmanara trata disso antes de pensar em vir para Nazaré. Ele(neste caso, sua esposa, ele ja disse que é ela que organiza as licenças) pede uma autorização para que possa entrar na agua em condições que a capitania impõe restrições. Entrar no mar nestas condições é somente para PROFISSIONAIS... DIGO PROFISSIONAIS.. NÃO AMADORES. Não está em discussão se o cara tem surf para ir a Nazaré surfar uma onda de 10 metros... se é melhor ou pior que outro... mas não me vem com choro dizendo que proibiram por causa disso e não proibiram outros por causa daquilo. A verdade é essa. Este Flame-ware é descabido!

francisco disse...

Este nosso Estado, armado em paizinho, que tudo quer controlar (mas não controla nada, positivamente), só evidencia a pequenez da mentalidade do nosso povo e, sobretudo, dos nossos governantes. O risco é inerente à prática de inúmeros desportos, quem os pratica sabe isso, e dispensa o papel pseudo-protector de um Estado medíocre.

nuno granja disse...

incrivel

Nuno granja disse...

Nem mais!

Correia, R disse...

Caros,
aqui na Praia de Faro também temos as nossas ..."coisas" com a Capitania.
Como sabem, quando estamos em plena época balnear torna-se complicado surfar nos nossos "beachbreaks" devido às poucas e fracas ondulações que quebram muito junto à areia, e por sua vez muito próximo dos banhistas que envolvem alguns riscos para ambos. Até aí compreendo que nos indiquem para procurar outros sítios para não magoar as pessoas que só vão à praia nessa altura do ano,... mas chegarem ao ponto de nos proibirem de surfar porque está bandeira vermelha?!!!
Bem,... isto é a capitania de Faro,... porque se surfarmos nas praias sobre a alçada pela capitania de Olhão como a Ilha de Tavira por exemplo, as ordens são exactamente o contrário,... os banhistas são salvaguardadas, e é permitido aos surfistas irem para a agua.
Afinal de contas temos uma espécie de Estado Americano, onde em cada qual, existe uma lei diferente.
É por essas e por outros que costumo dizer "isto é uma América...".

Anónimo disse...

chupa cabra!!! é assim e será sempre... parasitas

Ecosurfista disse...

Olá André, penso que com o acidente da Maya a Marinha percebeu que algo poderia acontecer e que inicialmente não anteciparam. Alguém podia efectivamente morrer. Dito isto parece-me lógico que deve existir um certo controle sobre a coisa. Se ele passa por exigir regras de segurança mais apertadas não me parece despropositado. Aliás acontece em todos os outros desportos onde há riscos elevados.
A questão em meu entender é quem é que pode no nosso país avaliar um plano de segurança de uma operação destas. Seguramente que a Marinha tem pelo menos duas pessoas com esta capacidade. Que eu conheça. Mas será que a Capitania da Nazaré tem a inteligência de se fazer aconselhar por estas pessoas. Ou vai limitar-se a cobrar taxas?
Abraço António Pedro

Paulo Pica disse...

Cambada de incompetentes.
O melhor é o país parar de vez e morrermos todos á fome na praia a contemplar as ondas!
É que dá muito trabalho organizar as coisas de forma a que realmente funcionem.
O grande perigo é que se funcionarem, irá dar mais trabalho e isso é uma grande massada...afinal as pessoas envolvidas não vão ganhar mais ordenado por isso.

Anónimo disse...

Acho que o anonimo tem toda a razão, quando morrer um practicante a responsabilidade vai cair em cima da capitania e do seu comandante.

Os eventos que aconteceram foram permitidos porque alguem assinou a responsabilidade desses mesmos eventos.

Se não houver um enquadramento legal para a pratica deste desporto espectacular, não vai haver mais eventos!

Os comentários que aqui se vêem, são fúteis e de gente que não tem responsabilidades.

Anónimo disse...

É tudo muito bonito mas quando "the shit hits the fan" quem se mete lá é a própria autoridade que está aqui a ser criticada...
Se fosse tu ias fazer o quê? Permitir que a Nazaré fosse conhecida por um local de morte do surf? (Ainda por cima com a exposição mundial que tem agora)
Porra, houve uma quase fatalidade há meia dúzia de dias, por sinal envolvendo uma profissional das ondas grandes!
Realmente, a autoridade marítima apresenta aqui uma lacuna sobre como lidar com isto, é tudo muito novo, é apenas compreensível - se calhar a sua actuação pecou por algum excesso na salvaguarda da vida humana.
Quanto a mim, criticar é fácil. Gostava era de ver ideias para lidar com esta situação (obrigatoriedade de equipas médicas, helicóptero, por aí fora).

André carvalho disse...

respondendo 2 últimos anónimos... Eu acho que a capitania apenas devia exigir um termo de responsabilidade! como alguém diz lá em cima todos estes desportos extreme são perigosos... base jump, tow in, freeride etc etc etc podem levar à morte.
A nazaré nunca ia ficar conhecida como um local de morte do surf, na verdade e penso que não fazes surf, em quase todas as ondas famosas já morreu alguém... é tipo formula 1:)

André carvalho disse...

respondendo 2 últimos anónimos... Eu acho que a capitania apenas devia exigir um termo de responsabilidade! como alguém diz lá em cima todos estes desportos extreme são perigosos... base jump, tow in, freeride etc etc etc podem levar à morte.
A nazaré nunca ia ficar conhecida como um local de morte do surf, na verdade e penso que não fazes surf, em quase todas as ondas famosas já morreu alguém... é tipo formula 1:)

Anónimo disse...

Bom dia
Permitam-me que me meta nesta troca de opiniões. Faço Surf desde o inicio da decada de 80. Conheço e surfo a Nazaré e Praia do Norte, desde o final da mesma década. A primeira vez que lá entrei, (num campeonato) estariam 1.5m e percebi e senti o quão poderosa é aquela onda. Desde essa altura que lá vou com a familia, ver as ondas em dias de mar gigante e posso garantir que já lá vi dias maiores do que os que deram os recordes ao Garret e ao Burle. Isto tudo, apenas para dizer que pelo meu conhecimento da zona, acho que mais tarde ou mais cedo, ifelizmente alguém vai acabar por morrer afogado ali. O Donnie morreu em waimea, o Mark Foo em Marv. e muitos outros em muitos outros locais. Infelizmente até em dias pequenos se morre no surf ou se fica com lesões para a vida. O inglês que não me lembro do nome em Carcavelos na década de 80, a miuda que tb não me recordo do nome em 0.5m na Barra que ficou paralitica, os vários que pelo mundo são mordidos por tubarões, etc. A mim, que tb ando e tenho uma mota de água, parece-me que o problema está a ser mal interpretado. As motas vieram ajudar o surf, mas não garantem nem impedem que um dia se dê uma tragédia. Eu para andar de mota, pago quase 500€ de IUC por ano, mais uma pipa de massa de seguro, mais o que paguei para tirar a carta de marinheiro, etc.
A Praia do Norte, pelas suas particularidades é propicia a acidentes. A forma como a "coisa" foi apresentada ao mundo, fez dela um negócio. A Capitania que hoje se quer proteger, esquece outros preceitos da lei, como por exemplo as cartas de marinheiro que a maioria dos que lá têm ido, inclusivé o Garret não têm, (apesar da sua incontestável experiencia e mérito), mas vêm exigir aos outros um sem nº de habilitações. Compreendo que assim seja, se essa exigências passarem por exemplo por um seguro que assumidamente cubra os riscos inerentes. Agora pergunto. Nadadores salvadores na praia para quê? Se estiverem 15 ou 20m de ondas e alguém estiver em risco, eles vão lá a nado para tentarem salvar quem se está a afogar? Só se for para tb lá ficarem. 1000€ de caução para quê? Paga o quê? Lilcença? Quem tem motas, paga por ano a taxa de farolagem que nos permite sair dos Portos.
Na minha opinião, o circo foi e está montado, por forma a tentar preservar o Zon North Canyon, tentando impedir terceiros. Essa é quanto a mim a verdadeira razão para tantas exigências. Atenção que acho que eles têm feito um excelente trabalho, tanto na promoção e divulgação da "coisa", como têm o grande mérito de o terem iniciado, mas o mundo dá uma volta todos os dias e não se pode/deve tentar impedir que a se evolua.
A pergunta que fica é: qdo o Garret deixar de vir (e um dia vai deixar) quem vai dar continuidade? A Camara tem que alargar as vistas e perceber que ´se quer que a iniciativa que meritóriamente lançaram tenha continuidade, devem permitir que quem cumprir com os requesitos acima explanados e quiser assumir o risco, o possa fazer. Antes de se ir lá com 30 pés, devem permitir e até incentivar que se vá lá com 15 pés, treinar e treinar e treinar. Neste momento, o que me parece é que existe uma tentativa de se monopolizar em proveito próprio.
Abraço para todos e acima de todos parabéns para quem começou por lá ir. Saca, Grego, Ruben, etc.
JB

André carvalho disse...

Boa JB ;) é isso!!